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Poder gentil PDF Imprimir E-mail

 ImageGentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo.

Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza se trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.
Nesta época em que vivemos o individualismo impera. Faz com que nos coloquemos na defensiva, numa espécie de armadilha, isso tira nossa capacidade de agir com o coração e de valorizar aquilo que realmente nos preenche, que realmente nos faz sentir felizes e plenos.

Tenho lido sobre estatísticas dizendo que a doença depressão (de todos os tipos) tende a ser, até 2020, a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Portanto os distúrbios afetivos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar crescem absurdamente, sem falar em síndrome do pânico, TOC, entre outros nomes que se tornam cada vez mais comuns entre as nós. Diante desses dados estarrecedores, encontrei mais motivos ainda para investir na gentileza e insistir no fato de que é somente agindo de modo coerente com o que realmente desejamos da vida que poderemos viver de modo mais equilibrado e menos doentio.

Não podemos esquecer-nos de sermos gentis. A rotina e o mundo individualista não podem cegar ou tornar insensível aquele que busca o seu melhor. Costumo dizer que se escolhemos o caminho da espirutalidade não temos mais direito de ser insensíveis, pelo menos não com o nosso próximo. Exatamente, com o nosso próximo.  Quem é o nosso próximo? Nosso marido ou esposa, nossos filhos, nossos empregados ou colegas de trabalho, nossos amigos, enfim aqueles com quem convivemos diariamente ou com certa freqüência. Como podemos nos deixar pressionar por idéias equivocadas, que nos levam a atropelar quem está na nossa frente por um desejo egoísta, a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos? É isso que nos torna cada vez mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir sim um mundo melhor. É significante lembrar que não são nossas opiniões inquestionáveis que fazem a diferença para um mundo melhor, mas o quanto são íntegras e delicadas as nossas ações.
Uma escritora, a quem admiro muito, diz num livro: "Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça". Na realidade a nossa gentileza para com as pessoas somente demonstra a nossa verdade e os nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos ou aviltaremos o próximo, em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração e com nosso caráter. Não há necessidade de dizer sim a tudo e a todos, porque isso apenas passaria uma imagem de vítima do mundo ou da vida. Isso não demonstra gentileza, demonstra sim mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido no ser gentil. Dizer “não” requer aprendizado, nem sempre fácil.

Quando  pequenos aprendemos a corresponder às expectativas de quem amamos. Dessa forma crescemos não sabendo a importância do não na formação de nossa personalidade e nos sentimos culpados ao nos depararmos com situações em que essa é a palavra a ser usada. Ora, nosso medo de dizer não fica justificado, porque é extremamente fácil transferirmos responsabilidade de nossas limitações para o outro.Acontece que você pode e deve dizer não para ser gentil e verdadeiro com as pessoas. Essa é uma atitude não só inteligente como sincera, respeitosa e verdadeira para com seu próximo. O que não se deve é associar essa palavra tão simples, com raiva e mágoa. Ela é apenas uma resposta que demonstra a verdade de seus sentimentos e nada tem a ver com falta de gentileza ou educação. Desde que seja dita com sinceridade e respeito e sabendo por que motivo você está dizendo não, a gentileza é absolutamente coerente. Acontece que as pessoas associam o dizer não com o sentimento de culpa e quando o pronunciam alteram o tom de voz, tentam uma justificativa, criam um responsável ou inventa pequenas mentiras que tornam qualquer boa relação em tensa e pesada, criando no ambiente miasmas negativos. Basta sermos honestos, não permitirmos que desrespeitem nossos limites, que aprenderemos a nos dar o direito de dizer não. Somente assim estaremos respeitando e sendo respeitados. Enfim, use um tom de voz compreensivo e afetuoso e o seu não será muito humano e aceitável. Nada de mágoa, gritos ou gestos agressivos.
Ser gentil é extremamente benéfico para a saúde porque abre portas, muda a direção dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.

No ambiente de trabalho, por exemplo, profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações são os preferidos pelas empresas. Lembremos que competência técnica é ofertada em universidades de todo o país, basta o esforço individual para adquiri-la, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito bem vistas no mundo atual.
A gentileza facilita e reforça todas as relações humanas. Na música de Gonzaguinha em que ele menciona a comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz entre as pessoas, ele  ilustra muito bem o poder da gentileza: gentileza gera gentileza, nada mais do que a lei: ação gera reação. Portanto o modo contrário também é verdadeiro. Ou seja, indelicadezas e maldades geram indelicadezas e maldades, ou para dizer o mínimo, afasta completamente a pessoa que não compactua com tal atitude. Afinal ninguém gosta de ser tratado de forma maldosa ou indelicada. Os malefícios que a falta de gentileza causam em nossa saúde física, emocional, mental e espiritual são imensos e por vezes irreversíveis. Para se ter uma pequena idéia do quanto à gentileza interfere em nosso dia-a-dia, basta notar que pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de enxaqueca, gastrite, colite, intestino irritável, entre outras limitações. Desta forma, o mais inteligente a fazer é tratar de praticar a gentileza todos os dias. E isso é uma escolha pessoal. Esse exercício diário desenvolve na pessoa a chamada inteligência afetiva.

Para você se exercitar tente se colocar no lugar do outro, isso ajuda a entender os sentimentos da pessoa, seu modo de agir e pensar. Aprenda a escutar, porque ouvir é importante para solucionar qualquer desavença. Pratique a arte da paciência e evite julgamentos, palavras ou ações precipitadas. Peça desculpas imediatamente se escorregar em alguma palavra ou ação, isso previne violência e pode salvar seu relacionamento. Policie seus pensamentos para que sejam sempre positivos, procurando sempre valorizar o momento e o outro. Perceba o que há de bom nesse relacionamento. Isto pode promover milagre. Respeite as pessoas, o modo de elas agirem e pensarem, mesmo que diferentes dos seus. As diferenças de personalidade é que constroem o progresso neste planeta azul. Seja solidário e companheiro nos momentos difíceis vividos pelo outro. Analise a situação e tente alcançar soluções pacíficas sempre. Faça justiça sempre, Jamais tende tirar do outro algo que não lhe pertence. Lembre-se que isso é falta de caráter, não chega ser nem indelicadeza.

Prepare-se para colher os frutos!

 por Sylvia R. Pellegrino

 
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