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AQUELES QUE AMIGOS SÃO... PDF Imprimir E-mail
É muito possível que alguns dos leitores ao lerem os meus artigos perguntem a si mesmos o que lhes interessa saberem de certas coisas que se passam na minha vida.


Quando eu escrevo crônicas sobre algo que me acontece ou sobre as minhas peripécias é sempre com o intuito que possam vir a prevenir ou ajudar o leitor, se por acaso se encontrar nas mesmas situações.

Não é nem nunca foi com a intenção de propagar a minha vida particular aos quatro ventos. Todos nós sabemos que o mundo atravessa uma grande crise. Alguns de nós fomos obrigados a tomar decisões, tais como vender a casa, por motivos de saúde ou por uma questão econômica. Finalmente depois de 2 meses exatos conseguimos a casa que queríamos e no lugar que desejávamos.

Temos que fazer alguns ajustes porque é menor do que a que tínhamos e francamente podemos viver perfeitamente sem as quinquilharias que levamos para casa durante 23 anos. Vamos ter menos roseiras, menos pombas, menos canários e algumas coisas serão eliminadas por completo. Não sei quais, porque eu sou uma das pessoas que guarda tudo. A tia de minha mulher com quem eu vivi durante 13 anos dizia:
- “Guarda o que não presta terás o que precisas”. Infelizmente aqui o que normalmente acontece é:
- “Guarda o que não presta e vais pagar para deitar fora.”
 
Mas a vida é assim mesmo e temos que nos ajustar à época em que vivemos, ao local e a tudo mais o que nos rodeia.

Eu não me considero perito algum em matérias de finanças. Sou deveras pessimista e estou sempre esperando o pior. Se o pior acontecer, estou preparado para isso e se as coisas correm bem, melhor ainda. Quando foi o problema que tivemos com a poluição na lavandaria, perdemos umas quantas centenas de milhares de dólares e esteve quase tudo a ir por água abaixo. Fiz das tripas coração, lutei, argumentei com advogados, companhias de seguros e o diabo a quatro e no fim se bem que não fosse da maneira que eu queria resolvemos o problema e ficamos com a cabeça fora de água e a poder respirar.

Há poucos dias comecei a preparar a nossa relação de impostos para mandar para o IRS. Receitas para um lado, despesas para o outro, a venda da casa fez com que tivéssemos que preencher mais formulários mas, o computador toma conta da maioria dessas coisas desde que a gente coloque os números nos lugares certos.

A minha mulher normalmente nunca quer saber de contas. Toda a sua vida trabalhou arduamente mas deixou sempre as contas à minha responsabilidade.

Agora com a venda da casa ela sempre se interessou mais um pouco e lá me ia perguntando.

Uma vez pergunta-me quanto dinheiro cresceu da venda da casa, quanto vamos exactamente pagar pela outra, etc. etc.
Eu disse:
- Ó mulher. Escuta.
- Pela primeira vez na vida temos casa paga, tudo o que temos está pago, temos dinheiro no banco e não devemos nada a ninguém.
 
Diz ela:
-Devemos muito, o amor da família e a amizade dos nossos amigos, aqueles que amigos são...

Autor: José M. Raposo
Cidade onde nasceu
São Miguel-Açores
 
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